Tratamento e Administração de Fenitoína em Crises Convulsivas: Guia Completo
Princípio ativo : Fenitoina.
Classe terapêutica : Anticonvulsivantes.
Apresentação : Caixas com 25 e 50 comprimidos.
A fenitoína é um dos anticonvulsivantes mais utilizados no tratamento de crises convulsivas epilépticas e parciais, além de ser indicada em situações específicas como crises convulsivas decorrentes de traumatismo cranioencefálico ou neurocirurgia. Desde sua introdução na prática clínica, muitos aspectos de sua eficácia terapêutica e tolerabilidade têm sido minuciosamente estudados, o que levou ao estabelecimento de diretrizes claras para sua administração e monitoramento dos possíveis efeitos colaterais.Indicações Clínicas da Fenitoína
A fenitoína é indicada para o tratamento de diversas formas de crises convulsivas, incluindo:- Crises convulsivas epilépticas generalizadas: Este tipo de crise, também conhecido como grande mal, afeta todo o cérebro e é caracterizado por perda de consciência e espasmos musculares.
- Crises convulsivas parciais: Envolvem apenas uma parte do cérebro, podendo ou não evoluir para crises generalizadas.
- Crises convulsivas associadas a traumatismo cranioencefálico: A fenitoína é frequentemente utilizada como medida preventiva em pacientes que sofreram lesões cerebrais traumáticas.
- Crises convulsivas secundárias à neurocirurgia: Em pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos no cérebro, a fenitoína pode ser utilizada para prevenir convulsões pós-operatórias.
Mecanismo de Ação e Eficácia Terapêutica
A fenitoína atua estabilizando as membranas neuronais, o que impede a propagação de descargas elétricas anormais no cérebro, característica das crises convulsivas. A droga faz isso ao bloquear canais de sódio voltagem-dependentes, limitando a entrada de íons sódio nas células nervosas, o que impede a excitação neuronal excessiva. Este mecanismo de ação torna a fenitoína eficaz tanto em crises convulsivas generalizadas quanto em parciais. Além de sua eficácia no controle de crises convulsivas, a fenitoína também tem sido estudada por suas propriedades antiarrítmicas, sendo utilizada em alguns casos para o manejo de arritmias cardíacas.Efeitos Colaterais e Considerações sobre o Uso Prolongado
Apesar de ser geralmente bem tolerada, a fenitoína pode causar efeitos colaterais, especialmente em casos de superdosagem ou hipersensibilidade ao medicamento. Entre os efeitos adversos mais comuns estão:- Erupções cutâneas: Podem variar de dermatite leve a reações cutâneas mais graves.
- Náusea e inapetência: Sintomas gastrointestinais leves, geralmente transitórios.
- Hiperplasia gengival: Este efeito colateral é mais comum em crianças e pode ocorrer após o uso prolongado da fenitoína. Embora a hiperplasia gengival seja geralmente benigna e não exija a interrupção do tratamento, é essencial que os pacientes mantenham uma boa higiene bucal.
- Hepatite e icterícia: Embora raros, esses efeitos colaterais são graves e exigem a interrupção imediata do uso do medicamento.
Interações Medicamentosas
A fenitoína apresenta interações com diversos medicamentos, o que pode afetar sua eficácia e segurança. Abaixo estão algumas das interações mais relevantes:- Etanol (álcool): O consumo de álcool pode induzir a produção de enzimas hepáticas que aceleram o metabolismo da fenitoína, reduzindo sua eficácia anticonvulsivante. Pacientes epilépticos que ingerem álcool devem ser rigorosamente monitorados.
- Barbitúricos: O uso concomitante de fenitoína e barbitúricos pode aumentar o risco de toxicidade pela fenitoína, especialmente se o barbitúrico for retirado abruptamente.
- Cloranfenicol: Este antibiótico pode inibir o metabolismo da fenitoína, aumentando o risco de toxicidade. Pacientes que utilizam ambos os medicamentos devem ser monitorados para sinais de intoxicação, e uma redução na dose de fenitoína pode ser necessária.
- Corticosteroides: O uso concomitante de corticosteroides e fenitoína pode resultar em uma resposta terapêutica inadequada aos corticosteroides, exigindo ajustes nas doses.
- Dissulfiram: Esta droga inibe o metabolismo hepático da fenitoína, aumentando seus níveis sanguíneos e o risco de efeitos tóxicos. Pacientes em uso de dissulfiram devem ter suas doses de fenitoína cuidadosamente ajustadas.
- Isoniazida: O uso concomitante com fenitoína pode aumentar o risco de toxicidade, exigindo redução na dose anticonvulsivante.
Posologia e Administração
A dosagem da fenitoína deve ser cuidadosamente ajustada para alcançar níveis sanguíneos terapêuticos de 10 a 15 microgramas por mililitro. A posologia varia conforme o peso corporal e a idade do paciente:- Crianças com peso abaixo de 30 kg: Doses diárias entre 10 a 15 mg/kg, divididas em duas ou três tomadas.
- Pacientes com peso acima de 30 kg: Doses diárias entre 5 a 10 mg/kg, também divididas em duas ou três tomadas.
Superdosagem e Tratamento
A dose letal média da fenitoína em adultos é estimada entre 2 a 5 gramas, mas varia conforme o indivíduo. Os sintomas iniciais de superdosagem incluem nistagmo, ataxia e disartria, progredindo para coma, hipotensão e depressão respiratória. Em casos graves, a superdosagem pode ser fatal devido à apneia. O tratamento é sintomático, uma vez que não existe um antídoto específico para a fenitoína.Considerações Finais
A fenitoína permanece uma das opções mais eficazes no manejo das crises convulsivas, especialmente quando administrada com cuidado e monitoramento adequado. Embora seus efeitos colaterais e interações medicamentosas exijam atenção, seu papel no controle de crises epilépticas é indiscutível. Pacientes em uso de fenitoína devem seguir rigorosamente as orientações médicas e comunicar qualquer efeito adverso ao seu médico para ajustes necessários na terapia. A continuidade do tratamento e o ajuste das doses são fundamentais para o sucesso terapêutico e a minimização dos riscos associados ao uso da fenitoína.Fabricante : Silva Araujo Roussel S.A.
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